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Por trás das fórmulas, a vida de Albert Einstein

Por Danielle Bohnen
Qualquer pessoa neste mundo já viu a imagem de um velhinho simpático de cabelos desalinhados e expressão cômica mostrando a língua. É de conhecimento geral a importância que este homem teve para o mundo moderno, ficou famoso graças às suas pesquisas e descobertas na área da física, tornando-se, uma figura conhecida, quase onipresente no mundo até os dias de hoje. Albert Einstein, físico e teórico, responsável por desenvolver a teoria da relatividade, essencial para que mundo seja como vemos hoje. É de suma importância citar também os seus trabalhos em relação ao efeito fotoelétrico e a energia atômica.
 
Einstein
A cidade de Ulm, na Alemanha de 1876, foi o lugar escolhido por Hermann Einstein e Pauline Koch para viverem depois do casamento. Em 14 de março 1879, nasce seu primogênito, Albert, uma criança que demonstrava problemas com relacionamentos interpessoais, preferindo estar sempre sozinho, brincando com jogos que não são considerados infantis, muito menos que desperte interesse de crianças. Albert interessava-se desde de tenra idade por castelos de cartas de vários andares, peças para encaixar, geometria, entre outras atividades semelhantes. Com apenas sete anos demonstra para seu tio Jakob a teoria de Pitágoras dias depois de tê-lo apresentado à geometria.
 
Einstein
Em 1881 nasce sua irmã Maja, praticamente a única criança com quem Einstein mantinha uma relação mais estreita. No ano seguinte a família Einstein muda-se para Munique, onde Hermann funda, junto do seu irmão Jakob, que era engenheiro, a empresa “Jakob Einstein & Cie”, que vendia produtos elétricos. Já em 1885, os irmãos decidem vender sua parte na empresa para arrecadar fundos e abrir "Elektrotechnische Fabrik J. Einstein & Cie", que, em sua visão, era mais rentável. A nova empresa vai de vento em popa, já que a situação político-econômica alemã oferece o campo ideal para a até em então inovação da energia elétrica.
A família Einstein, de descendência judia, não seguia os ritos, nem costumes judaicos. Hermman acreditava que todos essas atividades eram superstições sem sentido. Por tanto Albert cresceu em um ambiente livre de manifestações religiosas ou crenças. Apesar de o pequeno Albert apresentar problemas de fala e de memorização, o que levou a sua família a pensar que pudesse sofrer de dislexia, na sua fase escolar demonstrou ter grande habilidade nas matérias que levavam números e cálculos. Mas, como era de se esperar, não era nada popular e muitas vezes era o alvo das chacotas dos seus companheiros de turma. O diretor da escola, a respeito da dificuldade apresentada por Einstein e por seu pouco interesse nas aulas de grego, disse que seu comportamento era um mal exemplo e que nunca seria ninguém na vida.
Einstein
Aos cinco anos de idade, seu pai mostra-lhe uma bússola, algo que intriga o jovem Albert. Segundo relatos posteriores, o próprio Einstein revela que esse momento foi de uma “impressão profunda e duradoura”, pois ficou intrigado como a agulha do objeto sempre apontando para a mesma direção seja qual fosse sua posição. Depois de uma tentativa mal sucedida de contratar uma professora particular para dar-lhe aulas em casa, os pais de Albert matriculam-no em uma escola católica, por serem judeus não praticantes, não lhes importava que freqüentasse inclusive a catequese. Durante esse período, Einstein obtinha as melhores notas de sua turma. De uma hora para outra, Einstein sozinho resolveu seguir a fé judaica, cumprindo com todos os rituais. Mas abandona esse costume quando começa a estudar ciências.
Max Talmud, um amigo da família é o responsável por iniciar Albert em assuntos científicos e políticos. Introduz o jovem a leituras como Euclides e Kant. Já aos doze anos, Einstein dominava cálculo integral e diferencial. Embora a insistência por parte do seu pai para que cursasse a carreira de engenharia elétrica, Albert não se acostumou com o regime escolar e nega-se. Pouco tempo depois, devido a uma saturação no mercado tecnológico de energia elétrica, a família Einstein testemunha a falência da empresa de Hermann.
A família muda-se então para a Itália, onde Hermann decide abrir outra empresa no setor elétrico, mas, da mesma maneira que aconteceu com a anterior, esta também vai à falência. Albert não acompanha a sua família, decide continuar em Munique para terminar o ano letivo. Pouco tempo depois, já não suportando mais a solidão e a saudade, vai viver com a família em Milão. É nesse período que desenvolve seu estudo “A investigação do éter em campos magnéticos”. Diante da crise econômica que a família sofre neste período, vê-se obrigado a encontrar trabalho com urgência e decide entrar no curso técnico em Zurique, na renomada ETH Zürik, mas além de ter sido reprovado nos testes de biologia e línguas modernas, não poderia cursar a carreira de Física porque não tinha diploma do secundário. Por indicação do diretor da ETH, surpreendido pelo desempenho de Einstein no exame de física vai para, a cidade de Aarau, na Suíça, para terminar seus estudos secundários. No ano seguinte renuncia a cidadania alemã para evitar o serviço militar.
Permanece na Suíça até terminar a universidade. Gradua-se em física na ETH Zürik em 1900. Com a dificuldade de encontrar um emprego após a formatura, devido à influências de ex-professores, que desgostavam das atitudes de Einstein durante o período letivo, ele passa a lecionar em escolas secundárias, mas logo vê-se novamente desempregado. Nesta época enriquece sua capacidade intelectual com leituras, como Marx e Mach. Com a influência de seu amigo Adler, segue seus estudos científicos com um ponto de vista marxista. Em 1902 vai morar em Berna, onde consegue um trabalho no Departamento Suíço de Patentes. Pouco antes de assumir o cargo, juntamente com seus amigos Conrad Habicht e Maurice Solovine, cria a Academia Olímpia, que, com seus membros, Paul Habicht, Michele Besso e Marcel Grossman, formam um grupo de contra-cultura importante para o meio científico da época. Eles discutem sobre ciência, filosofia, política, a partir das ideias marxistas. É neste momento que Einstein discute suas primeiras ideias sobre a teoria da relatividade. Por influencia de Adler, que conversa com seu pai, Einstein consegue um emprego na Universidade de Berna, como suplente. Em 1901, publica um dos estudos mais importantes sobre forças capilares no “Annalen der Physik. Nesse mesmo ano recebe a sua naturalização suíça.
Teoria da Relatividade
Durante o período universitário conhece Mileva Máric, colega de turma e com ela concebe matrimônio, dois anos depois da formatura, sem a presença dos pais da noiva. Como frutos do casamento tiveram três filhos. Sua primogênita, Lieserl, não se tem documentos sobre o seu destino, talvez tenha morrido ainda criança. Hans Albert seguindo mais ou menos os passos do pai, tornou-se docente na Universidade da Califórnia. Já o caçula do casal, Eduard, formado em Música e Literatura, apresentou distúrbios psiquiátricos graves, passando a maior parte de sua vida no hospital psiquiátrico, onde permaneceu até a sua morte.
Com Mileva Máric
1905 – Ano Miraculoso
Este foi o ano mais importante da vida de Albert Einstein e, por consequência, para toda a Física moderna. É em 1905 que conclui seu doutorado e que publica seus quatro artigos mais importantes para a ciência de todos os tempos. O primeiro deles trata da ideia dos “quanta de luz”, ou seja, os fótons, mostrando a possibilidade de serem utilizados para explicar fenômenos elétricos. Apesar de as equações de Einstein estarem corretas, essa teoria não recebeu apoio dos físicos da época, pois contradizia a teoria ondulatória da luz de Maxwell. Por este trabalho, em 1921, recebeu o prêmio Nobel.
Quando recebeu o prêmio Nobel
Já o segundo artigo trata-se do movimento browniano, Einstein conseguiu provar na prática a existência dos átomos. Até então considerados apenas um conceito, a existência dos átomos não era dada como fato comprovável. O terceiro foi sobre eletrodinâmica de corpos em movimento, introduzindo a relatividade restrita. Einstein logrou estabelecer a relação entre os conceitos de tempo e distância, complementando as teorias de Hendrik Lorentz. Einstein baseou-se em dois conceitos, o primeiro foi o de Galileu sobre as leis da natureza serem a mesma para todos os observadores que se movem a uma velocidade constante relativamente uns aos outros. O segundo trata da ideia de que a velocidade da luz é a mesma para todos os observadores. Este estudo tem como base principal não trabalhar com conceitos absolutos de tempo e tamanho. Este estudo ficou conhecido mais tarde como “Teoria da Relatividade Restrita”.
O último artigo é uma introdução ao conceito de massa inercial. É aí que Einstein publica a relação entre energia e massa com a equação E = mc2. Foi a partir dessa equação que a construção das bombas atômicas foi possível e para explicar a formação do Big Bang. Devido à sua fama e reconhecimento, em 1909, Albert Einstein, finalmente, consegue um emprego de docente permanente, na Universidade de Zurique.
Após a primeira Guerra Mundial, em 1914, de volta a Berlim, torna-se docente da Universidade de Berlim, senador da Sociedade Kaiser Wilhelm e diretor do Instituto Kaiser Wilhelm de Física. No ano seguinte apresenta sua teoria da Relatividade, sob título “As equações de campo da gravitação”, onde substitui uma equação da lei de gravitação de Newton. Neste estudo, Einstein considera que todos os observadores são equivalentes e não somente os que movem-se em velocidade uniforme. É uma nova ideia de que gravidade não é uma força, ao contrario de Newton, mas uma consequencia do espaço-tempo. Dando espaço aos estudos de cosmologia, promovendo aos cientistas bases para estudar o universo.
Em 1919, Albert Einstein torna-se um nome famoso nos quatro cantos do mundo. Neste ano é quando um artigo sobre suas teorias é publicado na revista Times. Neste mesmo ano divorcia-se de Mileva, mesmo estando separados desde 1916, Einstein prefere não incomodar sua ex-mulher com as questões legais do divórcio até então, devido ao seu estado de saúde debilitado. Com o divórcio assinado, casa-se com sua prima Elsa Löwenthal, com quem mantinha um romance desde 1917 e com quem permaneceu até o dia da sua morte em 1936. Einstein permaneceu viúvo o resto de sua vida.
 
Com Elsa Löwenthal
Um homem de Paz
No ano de 1921, Einstein faz um apelo a Israel, tentando mostrar que os conflitos poderiam ser resolvidos de forma pacífica, tendo o estado Suíço como modelo de sociedade e comunidade. Como um homem de visão, Einstein dizia para quem quisesse ouvir, que mulçumanos e palestinos poderiam conviver em paz lado a lado em uma sociedade justa. Esses conflitos não foram resolvidos até os dias atuais, prova de que a ignorância da humanidade não dá ouvidos nem sequer aos seus gênios.
Na década de 1930, o partido nacionalista ganha poder e o nazismo passa a ter cada vez mais força. Em 1933 Hitler sobe ao poder na Alemanha, Einstein temendo por sua origem judaica, foge para os Estados Unidos, onde vive até a sua morte.
 
O céu do Brasil
Os brasileiros tiveram o privilégio de receber uma presença tão ilustre no ano de 1925. Albert Einstein, em um recorrido pela América do Sul, visita o Rio de Janeiro, onde faz conferências, visitas em institutos e universidades. Foi recebido pela comunidade judaica, jornalistas e cientistas. Ao jornalista Assis Chateaubriand, escreveu a nota: “O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil”.
 
Com a equipe do Intituto Oswaldo Cruz
O gênio e Deus
Na questão religiosa, não cumpria os ritos da fé judaica desde que abandonou na juventude. Acreditava simplesmente que Deus estava na harmonia das coisas, das leis da natureza. Não aceitava a fé que fala sobre um Deus pessoal que intervém na história. Além disso, era determinista, não acreditava no livre-arbítrio humano, segundo ele, “o homem é livre para fazer o que quer, mas não é livre para querer o que quer”.
 
A bomba atômica
Já no posto de docente na Universidade de Princeton, seguiu seus estudos tentando unificar os campos eletromagnéticos e gravitacional em uma teoria única que nomeou “Teoria do campo unificado”. Em 1941 inicia-se o “Projeto Manhattan”, ou seja, o desenvolvimento da bomba atômica”, como pacifista e totalmente avesso aos regimes totalitários, Einstein, que a princípio ajudou na realização da bomba atômica, mais tarde torna-se um grande expoente a favor do desarmamento nuclear, escreve:
“Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. E o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assumi portanto minhas responsabilidades. E no entanto sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de paz. Já que as nações não se resolvem a suprimir a guerra por uma ação conjunta, já que não superam os conflitos por uma arbitragem pacífica e não baseiam seu direito sobre a lei, elas se vêem inexoravelmente obrigadas a preparar a guerra. Participando da corrida geral dos armamentos e não querendo perder, concebem e executam os planos mais detestáveis. Precipitam-se para a guerra. Mas hoje, a guerra se chama o aniquilamento da humanidade. Protestar hoje contra os armamentos não quer dizer nada e não muda nada. Só a supressão definitiva do risco universal da guerra dá sentido e oportunidade à sobrevivência do mundo. Daqui em diante, eis nosso labor cotidiano e nossa inabalável decisão: lutar contra a raiz do mal e não contra os efeitos. O homem aceita lucidamente esta exigência. Que importa que seja acusado de anti-social ou de utópico? Gandhi encarna o maior gênio político de nossa civilização. Definiu o sentido concreto de uma política e soube encontrar em cada homem um inesgotável heroísmo quando descobre um objetivo e um valor para sua ação. A Índia, hoje livre, prova a justeza de seu testemunho. Ora, o poder material, em aparência invencível, do Império Britânico foi submergido por uma vontade inspirada por ideias simples e claras”. (wikipedia).
 
Seu último ano de vida
1955 foi um ano triste para a Física e para o mundo que perdia um dos gênios mais aclamado de todos os tempos. Em Princeton, aos 76 anos, Albert Einstein morre em conseqüência de um aneurisma. Antes de seu corpo ser cremado, seu cérebro foi doado ao cientista Thomas Hervey, patologista do Hospital de Princeton. Einstein teve o privilégio de gozar sua fama e reconhecimento durante grande parte de sua vida, . Além de ser um exemplo de estudioso e cientista, é uma voz que vai ser escutada em ecos ainda por milhares de anos, quando, muitas das palavras proferidas e que não foram entendidas, começarão a fazer sentido para o resto do mundo, iluminando sua obscura ignorância. E a partir de então pode ser que exista uma resposta para a sua indagação feita ao New York Times a respeito de sua fama: “Por que ninguém me entende, mas todos me amam?”
 
Fonte:
Wikipedia
www.if.ufrgs.br/einstein
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