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Itaipu, uma gigante entre fronteiras

Por Danielle M. Bohnen
A hidrelétrica Itaipu Binacional é a maior hidrelétrica do mundo, com capacidade para abastecer grande parte das cidades brasileiras e paraguaias. A região de Salto das Sete Quedas foi motivo de diversos desentendimentos entre os dois países devido à falta de clareza do Tratado de Permuta firmado entre Portugal e Espanha em 1750. Um desses conflitos foi a Guerra do Paraguai que aconteceu entre1865 e 1870. Com o fim da guerra, o Tratado de Paz que foi estabelecido em 1872, não foi suficiente para acalmar ambas as partes, já que também não era preciso e as negociações ficaram paradas nos 20 km das Sete Quedas.
 
As Sete Quedas
A ideia
Durante o regime militar, estudos realizados na região confirmaram o potencial do rio Paraná para a construção de uma hidrelétrica ou, até mesmo, duas. Durante o governo Jânio Quadros, surgiu o primeiro esboço do projeto, elaborado pelo engenheiro militar Pedro Henrique Rupp. Em seu projeto, Rupp sugeria que o desvio do rio fosse feito para dentro do território brasileiro, dessa forma, o Brasil teria 25 milhões de quilowatts, esperando que o Paraguai não se desse conta das ambições do projeto. Obviamente que o país vizinho foi contra as pretensões brasileiras, porque conforme o tratado de 1872, o rio Paraná pertence em condomínio aos dois países, isso significa que a utilização do rio, qualquer que seja o objetivo, deve ser feita de forma conjunta.
Rio Paraná
Em 1960, conversações diplomáticas chegaram ao objetivo comum entre os dois países para a construção de uma hidrelétrica de enorme potencia para abastecer e trazer vantagens aos dois países. Assim surgiu a ideia da Itaipu, a primeira hidrelétrica binacional. Mas em 1965, devido ao deslocamento de militares brasileiros na região, as negociações viram-se afetadas, pois o Paraguai entendeu essa movimentação como uma ameaça. Na iminência de outra guerra, os dois países tentam novamente resolver com diplomacia. Dessa forma, foi inaugurada a Ponte da Amizade, que permitiu que produtos paraguaios fossem exportados através de território brasileiro.
 
 
Construção Ponte da Amizade
A Ata do Iguaçu
Em junho de 1966 foi assinada a Ata do Iguaçu, que consiste em uma declaração conjunta entre os dois países na qual se dispunham a estudar aproveitamento dos recursos hidráulicos na região, pertencente em condomínio aos dois países. Além disso, fica estabelecido que “a energia eventualmente produzida pelos desníveis do rio Paraná, desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Iguaçu, seria dividida em partes iguais pelos dois países”. No ano seguinte foi criada a Comissão Técnica Brasileiro-Paraguaia para a realização prática da Ata do Iguaçu. Os trabalhos da comissão terminaram em 1970, quando houve a “Celebração de Cooperação” entre a comissão técnica, as Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) e a Administração Nacional de Eletricidade (Ande), do Paraguai. Em maio do mesmo ano a concorrência internacional foi aberta para que empresas de consultoria e engenharia apresentassem propostas para estudos sobre o aproveitamento energético do Paraná.
 
Assinatura Ata do Iguaçu
O Princípio
Os consórcio que venceram o projeto e construção deste grande empreendimento foram as empresas IECO dos Estados Unidos e a ELC Electroconsult, empresa italiana que foi responsável pelos estudos de viabilidade. No dia 26 de Abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, acordo legal que afirma o aproveitamento hidrelétrico do rio Paraná pelos dois países. Justamente quando eclodiu a crise mundial do petróleo e o mundo passa a buscar fontes renováveis de energia, esse fato foi responsável por tornar ainda mais possível o sonho de uma hidrelétrica de grande magnitude.
Antes da gigante nascer
Especialistas foram enviados ao local para a escolha no melhor ponto para maior rendimento da hidrelétrica. Descobriram que perto da confluência com o Rio Iguaçu havia uma pedra submersa que dava ao trecho uma vazão de forte correnteza, indicando que ali era o ponto ideal para o aproveitamento hidrelétrico do rio. Daí vem o nome da hidrelétrica, pois os habitantes locais davam à essa pedra o nome de Itaipu, que significa em tupi, “o som da pedra”. Em 1974, foi criada a entidade Itaipu Binacional para gerenciar e administrar a construção da usina. Já em 1978, o canal de desvio foi aberto, o que secou uma parte do leito original do Paraná ser construída em concreto, a barragem principal.
 
Construção
Argentina entra na questão
Durante o processo de realização das obras, apesar de Brasil e Paraguai terem resolvido diplomaticamente seus conflitos tendo seus interesses em um ponto comum, as negociações entre esses dois países prejudicou as relações com a Argentina. Este último temia que a construção da hidrelétrica prejudicaria seus direitos e interesses sobre o rio Paraná. Em 1972, este assunto foi tema em assembléia das Nações Unidas. Em 1979, a solução foi possível com o Acordo Tripartite, entre Brasil, Paraguai e Argentina. O acordo apresentou regras sobre o aproveitamento hidráulico no trecho do rio Paraná que vai desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Assim ficou estabelecidos os níveis do rio e as variações permitidas para diversos empreendimentos hidráulicos na bacia comum aos três países.
 
A inauguração
Em 1982 chega ao fim as obras na barragem, mas de 100 mil trabalhadores foram contratados para atuar tanto no canteiro de obras como nos escritórios administrativos brasileiros e paraguaios. Neste mesmo ano realiza-se a operação chamada de Mymba Kuera, que em tupi significa “pega-bicho”. O objetivo da operação foi resgatar 36 450 animais da área que foi inundada para a construção do lago. Em 5 de novembro do mesmo ano, o reservatório cheio de água recebe os presidentes brasileiro e paraguaio, na época, João Figueiredo e Alfredo Sttroessner, respectivamente, que acionam o mecanismo as comportas do vertedouro para a liberação da água represada. Dessa forma foi oficialmente inaugurada a Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo.
 
João Figueiredo e Alfredo Sttroessner
Como nem tudo é um mar de rosas, a construção da hidrelétrica teve muitas oposições, principalmente de ativistas ambientais quanto da população ribeirinha que vivia às margens do Paraná. Milhares de pessoas perderam suas casas e o mundo perdeu uma das suas belezas naturais que eram as Sete Quedas no município de Guaíra. Moradores a artistas realizaram diversos protestos contra a construção da hidrelétrica. A área que foi encoberta pelas águas entre Foz do Iguaçu e Guaíra teve inundadas 8 519 propriedades, seus donos foram indenizados, assim como o município de Guaíra recebeu royalties pelo alagamento das Sete Quedas.
Moradores e artistas protestando
Em 1983 é ativada a primeira turbina, mas só em 1984 a hidrelétrica para a produzir energia de fato, quando entra em operação a primeira das 20 unidades geradoras do projeto. Neste primeiro ano foram gerados 277 megawatts, no ano seguinte começaram as vendas de energia. A Itaipu foi responsável por duplicar a capacidade do Brasil em produção de energia elétrica, somando-se aos 16,7 mil megawatts que produzia até então. Conta com 20 unidades geradoras que fornecem 700 megawatts cada uma, as quais passaram a funcionar a todo vapor entre 2006 e 2007, elevando a capacidade da usina para 14 mil megawatts.
 
A Hidrelétrica
A usina, atualmente, funciona em sua capacidade total, o que corresponde a 18 unidade geradoras que trabalham o tempo todo enquanto 2 permanecem em manutenção, pois, segundo o Tratado Tripartite, este é o numero máximo permitido de unidades em operação simultânea. A hidrelétrica produz em media 90 milhões de megawatts-hora por ano. Em 2008 , a usina atingiu o seu recorde de produção: 94,68 bilhões de quilowatts-hora, o que correspondeu a 90% da energia consumida pelo Paraguai e 19% pelo Brasil.
Itaipu a noite
O comprimento da barragem é 7 700 metros, 196 metros de altura e a elevação da crista chega a 225 metros. A vazão do vertedouro chega a 62,2 mil metros cúbicos por segundo. Das 20 unidades geradoras, dez ficam na freqüência da rede elétrica do Paraguai, sendo 50 Hz com potencia nominal de 823,6 MVA, fator de potencia de 0,85 e peso de 3 343 toneladas. As outras dez na rede elétrica brasileira, são de 60 Hz e tem potencia nominal 737 MVA, fator de potencia 0,95 e peso de 3 242 toneladas. A tensão nominal de todas elas é de 18 kV. As turbinas são do tipo Francis, apresentam potencia nominal de 714 MVW e vazão nominal de 645 metros cúbicos por segundo.
 
Lago formado pelo reservatório
A renegociação
Ainda que a usina seja propriedade de ambos os países, o Brasil conservava maior poder em relação ao Paraguai. Por isso, em 2009, o Tratado de Itaipu foi renegociado. A partir deste momento, em acordo entre os presidentes Lula e Fernando Lugo, o Brasil passou a pagar o triplo ao Paraguai pela energia produzida pelo seu percentual. Nesta ocasião ficou acordado também que o Paraguai teria a permissão para vender a sua energia diretamente às empresas, sejam brasileiras ou de outros países.
 
Fontes:
Wikipédia
www.itaipu.gov.br
http://www.h2foz.com.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=173
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