Notícias

O centro da Terra como gerador de eletricidade: Energia Geotérmica
Por Danielle Bohnen
A Energia Geotérmica, assim como o próprio nome sugere, é a energia que se encontra abaixo da superfície terrestre. Abaixo da crosta há uma camada de rocha líquida, o magma, que por muitas vezes escapa do centro da terra através dos vulcões.
Os reservatórios de água subterrâneos são aquecidos pela proximidade com o magma. A água pode ultrapassar os 200ºC. Em certas regiões, a água sobe à superfície e constitui lagos de águas quentes, que podem ser usadas para aquecer residências, em piscinas termais e produção de eletricidade.
Como acontece
Nas áreas do planeta onde o vapor, águas e pedras quentes são abundantes, pode-se produzir energia elétrica.
Ou seja, são abertos buracos no solo para atingir os reservatórios, depois a água e o vapor são drenados à superfície através de tubos. O vapor é conduzido à central elétrica, onde faz girar as turbinas. Dessa forma, a energia mecânica das turbinas transforma-se em energia elétrica através do gerador.
Depois o vapor é encaminhado a um tanque onde é arrefecido. Em forma de água novamente, é encaminhado ao reservatório para reiniciar o processo.
Fonte de Energia
A Energia Geotérmica é considerada limpa, mas não-renovável, porque todos os recursos são esgotáveis e o fluxo de calor é muito pequeno (0,04 a 0,06) W/m2, então não compensa o os custos de extração. Ainda que seja em áreas onde o fluxo de calor é alto, a extração é igualmente alta a fim de gerar eletricidade para fazer funcionar a usina, o que acaba esgotando gradualmente do campo em algumas décadas, ao passo que sua recuperação leva séculos.
Na superfície existe um gradiente de temperatura bastante amplo, que indica a movimentação do magma e das placas tectônicas. O calor é medido levando em consideração o fluxo do magma e também a presença de água, vapor, isótopos radioativos (urânio, tório e potássio), bem como reações químicas.
Para que um área seja propícia para ser utilizada, além de possuir um amplo gradiente de temperatura, deve apresentar fontes de água ou gases. Os campos de extração devem ser explorados de forma cautelosa, pois a forma como é feita a retirada pode influenciar na sua vida útil.
Uma forma de evitar esgotamento rápido é reintroduzindo água dentro do reservatório. Esse método é caro e pode diminuir a temperatura dentro do reservatório, mas minimiza o impacto ambiental. Ainda assim, deve-se analisar o local para evitar problemas na reintrodução, pois isso depende muito das condições de cada ambiente.
Um fator determinante para a construção de usinas geotérmicas é o custo que envolve a perfuração, que é similar às técnicas usadas na extração de combustíveis fósseis, mas pela alta temperatura e processos corrosivos requerem componentes específicos, mas não se faz necessário o uso de combustíveis para o seu funcionamento.
Para que a perfuração seja bem-sucedida deve-se ter a temperatura adequada e pressão como função da taxa de calor; entalpia do fluido, composição química.
Perfuração para teste de reservatóriona California. Foto: Jim Wilson-The New York Times
A Energia Geotérmica está ainda em estudos, mas há resultados que comprovam ser uma fonte mais barata que combustíveis fósseis e usinas nucleares. A emissão de gases é pequena e pode ser tratada.
As usinas são mais importantes e bem-sucedidas encontram-se na Califórnia, EUA. Lá existem 14 locais onde ideais para a produção eletricidade com a Energia Geotérmica. Alguns ainda não são explorados, pois os reservatórios de água são muito pequenos e isolados, ou a água não é quente o suficiente. As usinas que já estão em operação geram energia suficiente para abastecer 2 milhões de casas.
Usina geotermica na Califórnia
Meio Ambiente
Os impactos ambientais apesar de menores do que os causados por usinas e extração de combustíveis fósseis, devem ser levados em consideração.
Pode haver poluição de água de rios e lagos, pois há possibilidade de contaminação na região da usina, com elementos tais como mercúrio, arsênio e boro, que são encontrados em quantidade significativas.
A poluição atmosférica é outro problema ambiental enfrentado por essa tecnologia, pois os fluxos geotérmicos contém gases que são liberados à atmosfera junto com vapor de água. Esses gases são sulfurosos, tem um cheiro desagradável, propriedades corrosivas e são nocivos à saúde. Além disso o escape de calor pode aumentar a temperatura do ambiente na região próxima à usina.
Outro risco é de aluimento da terra, quando uma grande quantidade de fluido é retirada. Por isso, para evitar que aconteça algum tipo de abalo, deve-se injetar água, ainda assim com muita cautela e levando em consideração as características específicas de cada região.
A questão sonora é outro fator a ser levado em consideração. A extração dos fluidos bem como o funcionamento das máquinas dentro da usina, são operações emitem um ruído incômodo, que pode ser ouvido por toda a região onde está instalada. Isso pode afetar comunidades próximas bem como a fauna da região. Existem métodos de abafamento que podem ser utilizados para amenizar o impacto. Muitas vezes com estudos da topografia da área, o ruído pode ser bloqueado.